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Palavra do Presidente
Companheiros Florestais,
Juntos, nós promovemos a maior eleição de
nossa entidade, onde cada um de nós assina seu nome em mais
um capítulo desta história iniciada por destemidos
Engenheiros Florestais em julho de 1968. Felicito a todos que tomaram
parte deste momento, símbolo da democracia conquistada com
o sangue de bravos brasileiros, e agradeço aos colegas de
todo o Brasil que nos confiam a missão de dirigir a Sociedade
Brasileira de Engenheiros Florestais até maio de 2009.
Acreditamos que é chegada nossa hora. Sabemos que TODOS
os cidadãos brasileiros utilizam-se dos serviços dos
Engenheiros Florestais em cada dia de suas vidas, sem exceção.
Seja, através de mobiliários e utensílios de
madeira, alimentos, tintas, colas, vernizes, embalagens, carvão,
entre outros, produzidos com matéria prima obtida em florestas
plantadas ou manejadas pelo exercício de nossa profissão.
Os produtos do nosso trabalho vão desde o bem estar proporcionado
pela arborização das cidades, até o papel,
que diariamente é utilizado em todo o mundo, sob as mais
variadas formas, da educação à higiene pessoal.
Mesmo sem grandes apoios e incentivos, mas graças ao empenho
e dedicação de muitos de nossos colegas, a Ciência
Florestal brasileira avançou significativamente nos últimos
40 anos, nos colocando na vanguarda tecnológica do setor
no cenário mundial. Isto, associado à nossas condições
ambientais, nos propicia a posição de país
mais competitivo na produção florestal mundial, e
apesar dos entraves políticos e burocráticos muitas
vezes impostos às nossas atividades, os números mostram
claramente a enorme contribuição do setor florestal
na economia nacional.
Nossa atividade está na construção civil,
na siderurgia, na produção de energia, nas caldeiras
das fábricas, no desenvolvimento e na geração
de postos de trabalho, mas também na conservação
ambiental, na criação e manutenção de
reservas e parques, na recuperação de áreas
degradadas, na preservação de ecossistemas e espécies
ameaçadas, no seqüestro de carbono da atmosfera e no
manejo de bacias hidrográficas otimizando a produção
de água para o abastecimento da população.
Está na criação de oportunidades aos povos
das florestas e às comunidades rurais, evitando o êxodo
rural e a consequente favelização dos grandes centros
urbanos.
A Engenharia Florestal tem a sua origem na necessidade de tornar
SUSTENTÁVEL a obtenção dos recursos florestais
que são utilizados como matéria-prima ou combustível
desde a pré-história até os dias atuais. Esta
necessidade latente, e os exemplos das drásticas consequências
ocasionadas pela exaustão destes recursos em diversas partes
do mundo, fizeram com que a Ciência Florestal se desenvolvesse,
não focada apenas em aumento de produtividade, mas principalmente
no conceito de sustentabilidade. Esta visão, hoje totalmente
consolidada, vem orientando as atividades dos Engenheiros Florestais
desde sua formação.
No entanto, contrapondo a importância de nossa atividade,
a atuação do Engenheiro Florestal ainda é pouco
conhecida pela sociedade. E pior, quando ao arrepio de nossa ciência,
nossas atribuições vêm sendo frequentemente
profanadas como alvos de intervenções políticas
e da disputa corporativa por reserva de mercado. Deixados de lado
a ciência e a razão, em meio à parafernália
burocrática e a ausência de vontade política,
ficam evidentes os reflexos negativos sobre o meio ambiente, assim
como na qualidade dos serviços que são oferecidos
à sociedade, em decorrência do exercício ilegal
de nossa profissão ou de normatizações que
desconsideram as competências e habilidades que são
conferidas na formação de cada categoria profissional.
Esta questão precisa ser tratada com responsabilidade por
quem de direito.
Mas recentemente, enfrentamos ainda as manifestações
que propagam mitos altamente perniciosos. Repentinamente surgem
diversos “especialistas” que condenam a atividade florestal,
pressionam, e ditam a nova ordem que criminaliza o plantio de árvores.
Imponentes, argumentam contrariamente às comprovações
científicas, muitas vezes incentivado$ por organizações
internacionais, de países concorrentes. As contra-informações
difundidas por esta movimentação, prejudicam uma cadeia
produtiva que envolve desde grandes empresas até prestadores
de serviços rurais e pequenos proprietários, configurando
um verdadeiro desserviço ao nosso país. E como se
estas já não bastassem, agora são praticados
atentados criminosos contra a atividade florestal, no que esperamos
as devidas providências por parte das autoridades competentes.
Mas nós também devemos fazer nossa parte. Não
podemos nos calar. Cumprimos com nossos deveres, portanto precisamos
exigir os nossos direitos.
Nos consolidamos como ciência, nos destacamos como profissionais,
agora é a hora de nos organizarmos como categoria.
Isto só depende do esforço de cada um de nós,
de nossa participação e pré-disposição
para uma postura mais solidária, para o exercício
da cidadania e o espírito de coletividade. Precisamos otimizar
nossas ações regionais fortalecendo assim nossas associações,
e juntos, através da SBEF, construiremos a política
nacional de defesa, desenvolvimento, e reconhecimento público
de nossa profissão.
Nossas entidades devem estar mais presentes nos conselhos tripartites
e nas discussões dos grandes problemas da sociedade, onde
temos um grande potencial de contribuição técnica
à oferecer. Desta forma estaremos ampliando ainda mais a
colaboração que, ao longo dos anos, a Engenharia Florestal
tem disponibilizado à sociedade, ao meio ambiente e ao desenvolvimento
da Nação.
Saudações Florestais,
Eng.º Florestal Glauber Pinheiro
Presidente da SBEF
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